quarta-feira, 30 de novembro de 2011


This is my life
Its not what it was before
All these feelings I've shared
And these are my dreams
That I'd never lived before
Somebody shake me
'Cause I
I must be sleeping

Now that we're here,
It's so far away
All the struggle we thought was in vain
All in the mistakes,
One life contained
They all finally start to go away
Now that we're here it's so far away
And I feel like I can face the day, and I can forgive
And I'm not ashamed to be the person that I am today

These are my words
That I've never said before
I think I'm doing okay
And this is the smile
That I've never shown before

Somebody shake me 'cause I
I must be sleeping

I'm so afraid of waking
Please don't shake me
Afraid of waking
Please don't shake me

terça-feira, 29 de novembro de 2011

"Into the wild" - Misiones San Ignácio

Depois de dois dias em Iguazu e sem muito mais a fazer, decidi ir a San Ignácio, uma terra que faz fronteira com o Paraguai a "apenas" 5 horas e meia de autocarro.

"San Ignácio - Misiones foi fundada em 1632 pelos Jesuítas durante o período de colonização espanhola. A terra era povoada por Guaranís e, dessa missão, resultou uma sociedade bastante independente e desenvolvida. Redescoberta em 1897, o trabalho de restauração só se iniciou nos anos 40. Desde 1984 que San Ignacio Miní é um Património Mundial da UNESCO."

Para lá a viagem correu bem, dormi a maior parte do caminho. O pouco tempo em que estive acordada deu para perceber que me afastava cada vez mais da civilização. Havia pessoas a vender na berma da estrada, crianças descalças meias indígenas e pouco mais no meio da verdadeira selva.

Chegada a San Ignácio, às 4 da tarde, deixaram-me numa estação de autocarros afastada da aldeia, com dois viajantes que vim a conhecer. Logo fomos abordados por uma rapariga que publicitava um hostel e por um representante do turismo local. Estavam 40º e a terra era constituída por uma dúzia de quarteirões, estradas de terra batida, árvores e comércio de pouca dimensão. A aldeia estava completamente deserta. Soube depois que aquela era a hora da "siesta" e também era feriado nacional, o que explicava o facto de ter cruzado apenas com 3 crianças que brincavam na rua, ao atravessar a aldeia até ao hostel.

Os viajantes que desembarcaram eram um casal de namorados, arquitectos, ele francês (Eduard) e ela belga (Julie). Ficamos os três juntos, a subir a avenida de terra debaixo de 40º e com duas mochilas cada um. Eles levaram-me ao hostel pois não havia ninguém na rua. Depois foram a outro hostel pois suportamente era mais barato, mas logo regressaram ao meu e ficaram a dormir no meu quarto.

Na verdade não estava muito satisfeita com a minha escolha, não parecia ter sido a melhor opção.

Pouco tempo depois, na zona comum do hostel conheci um senhor de 80 anos. Ele tinha estado a jogar ping-pong com um miúdo pequeno e, à primeira vista, pensei que eram da mesma família. Logo me perguntou de onde eu era e apresentou-se. Estava a viajar sozinho também, durante 3 meses e depois regressaria à Bélgica. O senhor chamava-se Claude, tinha o cabelo todo branco, usava óculos de massa e tinha um sorriso de um miúdo de 8 anos. Vou falar melhor sobre ele depois.

Nesse mesmo dia cruzei-me com o Claude. Ele perguntou se eu não queria ir ver um espetáculo de luz e som nas ruínas de San Ignácio. Aceitei. Fomos jantar a um sítio bastante modesto e depois fomos às ruínas. Valeu mesmo a pena. O espetáculo é para um grupo no máximo de 50 pessoas onde existem dois guias com lanternas que vão orientando o grupo por entre as ruínas. São projectadas imagens em 3D entre as árvores, nas paredes e sempre acompanhada pela voz de um "ancião" a contar a história do povo. A noite estava muito agradável e os sons da natureza acompanhavam o espetáculo. Vi imensos pirilampos que, confesso, nunca tinha visto em parte alguma. Foi mágico.

No dia seguinte, hoje portanto, eu e o Claude tomamos o pequeno-almoço com os meus companheiros de quarto, a Julie e o Eduard. Decidimos ir visitar as ruínas juntos, pois durante a noite muitos pormenores escapam. O sítio é realmente maravilhoso e, apesar de toda a destruíção (na qual os Portugueses há uns séculos atrás têm culpa), não deixa de transparecer magia.

Foi um passeio muito bom. Pelo caminho, todos falavam francês, pelo que foi bom para treinar o ouvido e também relembrar algumas palavras. O Claude não percebe inglês, logo falava espanhol com ele. Com os namorados, eu falava espanhol ou inglês, entre eles falavam uma mistura de belga e francês (é parecido).

Eramos um grupo bastante heteogéneo, com uma diferença de idade enorme.

Bem, divertimo-nos imenso juntos. Depois da visita fomos tomar uma bebida e depois decidimos cozinhar juntos no hostel. Fomos às compras ao supermercado. O Claude ofereceu-nos as bebidas: champagne para os aperitivos e rosé para acompanhar a bela pasta. Foi um almoço improvisado mas delicioso.

No final bebemos mate (uma bebida mais forte que café e que todos na argentina bebem) e trocamos contactos. O Claude contou um pouco da sua história, apesar de não ser um homem de grandes palavras. Não tem fihos, irmãos, sobrinhos, vive sozinho, tinha uma namorada de 30 anos da qual se separou porque ela não gostava de viajar. Nem cão tem. Nem gato. Quando lhe pedi a morada, já nem se lembrava (depois lembro-se e convidou-me a ir à Bélgica no próximo verão). Afinal passa 9 meses por ano a viajar. Já conheceu todos os continentes.

Detesta viagens organizadas e por isso não quer ir ao Butão, o país com maior índice de felicidade, perto do Nepal, só porque tem de se ir numa excursão. É incrível que apesar de toda esta história, parece ser um homem realizado. Ninguém teve pena da sua "solidão", pois é o modo de vida que ele escolheu. É uma pessoa de poucas palavras e, na maiora do tempo que passei com ele, estivemos em silêncio. Mas foi o silêncio mais confortável que alguma vez já tive com alguém que conheci em tão pouco tempo. Foi indescrtível.

Quando vim embora, acompanhou-me à estação de autocarros, a 20 minutos a pé do hostel. Não falámos o caminho todo. Ficamos sentados no terminal até o autocarro chegar. Disse que no dia seguinte iria para a estação apanhar o primeiro autocarro que viesse para Iguazu.  Tirámos uma foto e despedimos como velhos amigos.

Voltando a Iguazu para apanhar o voo amanhã para Córdoba, tive uma viagem que me pôs à prova. A camioneta era velha, suja e estava cheia de baratas. A viagem demorou 5 horas e meia. Matei imensas baratas, não consegui dormi estava sempre a levantar-me para as apanhar. Queixei-me a umas raparigas que entretanto se sentaram ao meu lado e elas disseram que era normal (devem ter pensado que eu era uma princesa). Foi um 9 numa escala de desconforto de 0 a 10. Não podia sair do autocarro para apanhar outro porque simplesmente não hvia nada naquela estrada.

Mal saí do autocarro sacudi-me toda e rumei ao hostel, dois quarteirões acima. Quando cheguei ao destino fui recebida à poa do hostel por uma barata do tamanho do meu polegar.

Pensei "Welcome to South America Inês!"....












Uma semana de viagem...ainda faltam 3! :)

Beijos!

domingo, 27 de novembro de 2011

Missiones - Cataratas de Iguazu

Por onde começar?

A partida de Buenos Aires para Iguazu foi tranquila. Tive oportunidade de conhecer melhor o casal de australianos que, segundo me contaram, andam a viajar durante um ano e para sustentar a viagem fazem voluntariado a troco de comida e dormida. O próximo voluntariado é numa quinta, onde vão ajudar a família a contruir a casa e a plantar a horta. Acho interessante partilhar que só na Argentina existem mais de 700 locais onde é possível fazer voluntariado a troco de coisas básicas. Trabalha-se 4 horas por dia.

Chegando a Iguazu, a região mais a norte da Argentina, na fronteira com o Brasil, foi impossivel não reparar na extensão da floresta/selva que aí existe. É um autêntico pulmão da Terra. Mal saí do avião, às 18h00 senti o calor tropical a colar-se à pele. Calor e mosquitos, claro. O calor é de morrer, ainda me admirava com Buenos Aires!

Esperei 30 minutos por um bus que me levou à porta do hostel. O local é modesto mas tem piscina, o que é muito útil com este clima! À noite dormi demorei 2 horas a adormecer... Tive a inocência de desligar as ventoínhas do tecto por fazerem barulho. Em 10 minutos voltei a ligar a ventoínha do máximo e pus a música no Ipod. Depois o meu colega de quarto, o francês Louis, chegou um pouco entorpecido às 3 da manhã. Já o tinha conhecido à chegada e logo decidimos ir a Iguazu juntos no dia seguinte.

O Louis (não sei se é por ser francês) é igual ao Tintin. Mais à frente podem verificar. Tentei explicar-lhe porquê, mas ele não ficou muito convencido.

De manhã acordei cedo e parti com o Tintin para a grande maravilha. Fomos num autocarro cheio de gente que nos deixou à porta. Mais uma fila, mas a expectativa era grande e o tempo passou depressa.

O parque natural está dividido em 3 circuitos principais: o inferior, com vista panorâmica para as cataratas, o superior, que se passa mesmo por cima da água e o circuito de comboio até à "Garganta Del Diablo" que é só a mais majestosa das cataratas. Esta deixamos para o fim.

Pelo meio vi imensos animais. Macaco, vários animais exóticos, imensos pássaros, lagartos gigantes, borboletas de todas as cores. O cenário era paradisíaco. Só não vi os Tucanos. Fiz uma aposta com o meu colega de viagem: quem visse 1º um tucano não pagava o jantar. A verdade é que nenhum de nós viu nenhum e o jantar foi pago a meias.

Na visita ao parque, propriamente dito, foi espantosa. Tem trilhos por toda a parte e, quando achamos que uma paisagem é bonita, é porque ainda não vimos a próxima! Quer o caminho inferior como o superior são soberbos. Andar de barco debaixo das cataratas também é fantástico. Apanhamos um que ía mesmo debaixo da água, a força era tal que nem abri os olhos quando estava mesmo por baixo. Incrível.

No regresso decidimos ir à Garganta Del Diablo. O caminho é feito num pequeno comboio turistico que termina numa estação dentro do parque. Depois há uma passagem por cima do rio Iguazu superior, onde se atravessa o rio e se pode observar uma paisagem muito traquila mas igualmente bonita. No fnal desse trilho tem a famosa catarata. A força da água é brutal, levantando ondas de neblina que molha completamente aqueles que ousam chegar mais perto. Vale mesmo a pena, pois formam-se aí vários arco-íris e é de arrepiar a beleza daquela paisagem. São vertidos milhares e milhares de litros de água por segundo, forma-se tanta neblina que nem é possível ver o fundo, o local onde realmente a catarata acaba.

Depois disto regressamos de autocarro que, na sua exímia qualidade, avaria. Tivemos de sair e apanhar outro! Na chegada ao hostel, nada como um banho para refrescar tantas emoções e um belo jantar de "pasta". Amanhã devo ir a San Ignacio, a meia duzia de horas daqui, para ver umas ruínas de 1610.

Quanto ao dia de hoje deixo-vos algumas, mas acreditem que foi difícil escolher. Melhor, só vendo com os próprios olhos!


Vista da trilha inferior


Vista da trilha inferior

Flores muito comuns no parque

Um pequeno macaco

 Este foi difícil apanhar!

Pequena catarata vista de cima

Vista antes de entrar no barco

O barco, rumo às cataratas

Rio Iguazu Superior

A bela da marca, devia ter trazido o protector!
Garganta del Diablo

Garganta del Diablo

Garganta del Diablo

O tintin à procura do Tucano

Pureza de Iguazu

 O autocarro que avariou, a caminho do hostel

Espero que a descrição tenha despertado a curiosidade de visitar este sítio, é realmente fantástico!

Abraços e até ao próximo destino!

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Buenos Aires, buenas experiencias!

Depois de três dias em Buenos Aires finalmente sinto que me estou a integrar na cidade. Tenho tentado passar o mais possível despercebida. Calções rotos, chinelos, mochila às costas, sem anéis, pulseiras, colares. Sinto-me bem assim. Hoje saí só com a máquina fotográfica, um livro e música.

Pedi na recepção do hostel para me indicarem o lugar mais tranquilo da cidade. Indicaram-me "Palermo", a zona onde vivem os ricos de Buenos Aires.

Assim, rumei a Palermo de metro e saí na zona mais ampla, verde e fresca da cidade. Aí entrei no jardim botânico e, acreditem, é dos jardins mais bonitos que já vi. Estava uma atmosfera pesada, um calor a entranhar-se na pele, algum vento que agitava as árvores, completamente em flor (aqui é Primavera). O jardim estava cheia de estátuas belíssimas, pessoas a ler, a ouvir música. Havia também muitos gatos, de todas as cores, a dormirem à sombra dos grandes arvoredos.

Fiquei um pouco sentada, com o corpo a ressentir-se das caminhadas dos dias anteriores. Também tirei algumas fotografias mas logo a máquina ficou sem bateria, por isso não tirei mais fotos o dia todo. Apesar de inicialmente ter pensado o quão palerma fui de me ter esquecido das pilhas extra no hostel, afinal acabou po ser uma coisa boa. Tive de estar com os sentidos muito mais alerta para captar tudo no memória: ver o movimento, as cores, as expressões das pessoas no metro, ouvir as pessoas a falarem, os pássaros, as máquinas, sentir o cheiro das barraquinhas de "choripan" em cada esquina, das empanadas, das pizzas acabadas de fazer, etc.

Lamento não ter fotos do dia de hoje, mas espero conseguir por palavras expressar todas essas impressões, tão intensas para mim.

Depois do jardim botânico fui para outro jardim, maior, mais amplo, com lagos e montes de patos. O jardim estava imaculado, a relva, a água, tudo limpo e organizado. Encontrei uma sombra, estendi o lenço/toalha de praia/cachecol e fiquei a ouvir música e a ler durante a tarde. Foi muito tranquilo.

O dia ainda estava alto, o calor também e decidi ir a outra parte da cidade, completamente o oposto da tranquilidade que tinha vivido. Chama-se Calle Florida e é um verdadeiro turbilhão de gente a fazer compras. Lá pelo meio havia (mais) uma manifestação da "classe operária". Os argentinos quando se manifestam é a sério. Acreditem.

Outra coisa que me impressiona são os enfeites de natal. Estão 32ºC, toda a gente cheia de calor e aparece nas montras o pai natal bem aconchegado com a sua roupa vermelha. Parece incongruente.

Nessa rua há também um centro comercial muito famoso, todo dourado, com o tecto pintado como um verdadeiro monumento. Aí estão as lojas mais caras e, vê-se pelas pessoas que o frequentam, que a crise não chegou alí. Quando entrei, com os pés sujinhos de vir do parque, toda despenteada (modo limpeza de sótão), de mochila as costas, não me senti muito integrada. Mas, o que interessa é que aproveitei para ir à casa de banho mais limpinha da cidade e disso ninguém me tira!

A voltar para o hostel decidi apanhar o colectivo. Quando dizem colectivo, é meeesmoooo colectivo. Imagine-se o cenário: buenos aires, hora de ponta, sexta-feira, 30ºC, filas para o autocarro a dar a volta ao quarteirão. As pessoas arrumam-se no interior do autocarro como peças de tetris. É muito bom! Entrei no veículo, não tinha saldo e não me apetecia pagar porque só tinha uma nota alta e mostrar isso naquele contexto podia ser um problema. Então comecei a falar em Português, a remexer nos bolsos e a dizer que não tinha dinheiro. O homem, farto de me aturar mandou-me entrar sem pagar.

Não sei se for por (não) merecimento, mas também não completei a viagem. Tive de saír umas paragens depois porque não aguentava o calor lá dentro. Vim a pé para o hostel e aqui estou.

Hoje vamos cozinhar pizza em conjunto: eu, um argentino, 3 australianos e os "basquitos" do meu quarto.

É a minha "primeira despedida" de Buenos Aires. I'll be back!

Quando escrever novamente estarei nas famosas cataratas de Iguazu.

Abraços!!




quinta-feira, 24 de novembro de 2011

O caminho faz-se caminhando

Quem disse que a melhor forma de conhecer Buenos Aires era a pé e de "colectivo" (autocarro) devia ser castigado!

1º Os meus pés estão inchados e com uma alergia qualquer (espero que não sejam pulgas) de andar a pé. 2º Os colectivos são uma festa. Andam a 100km/h e apitam a tudo o que mexe, sejam crianças, idosos ou turistas. Depois de me cansar de andar a pé fui a correr atrás de um autocarro. O motorista só abrandou e tive de entrar no autocarro em andamento. Foi de loucos. Como recompensa não tive de pagar bilhete.


Um "colectivos" de Buenos Aires 

Hoje fui à zona rica da cidade, Palermo e la Recoleta. Visitei o cemitério onde estão sepultadas todas as figuras importantes da história da Argentina. O local é uma autêntica cidade dos anjos, com ruas, praças e jardins.

La Recoleta

Nesse mesmo local visitei o sítio onde está sepultada a Eva Perón. Estava um amontoado de turistas, deu logo para perceber qual era o local.



Depois fui visitar o Museu Nacional de Bellas Artes. Não pude tirar fotos dentro, mas fica a parte de fora.



Daí parti rumo à Plaza de Mayo (que se pronuncia Plaza de Machu) onde esperei ver as "avuelas". Passo a explicar, todas as quintas-feiras juntam-se mulheres cujos netos foram vítimas de repressão a manifestarem-se. A hora marcada para o encontro era as 15h30. Talvez por causa do calor as avós não saíram à rua!



Fugindo das grandes avenidas entrei numa rua que tinha um mercado livre. Aí fui chamada por um vendedor de bijutera e ficamos a falar um pouco, até que ele me pergunta "você fuma maconha?", "como não fuma?". Não se assustem, era mesmo simpático. Fez-me um brinco com uma clave de sol e disse-me que me pagava uma cerveja na volta. Como é obvio não voltei. Eis a personagem a fazer o meu brinco.


Ao final da tarde, visitei o "obelísco", que é o monumeno que podem ver de seguida. Fica numa avenida com 12 faixas, 6  cada sentido. Agora com os colectivos a apitar por tudo e por nada, imaginem a confusão!


Espero que tenham gostado da viagem!

Um abraço a todos!

Sempre chegamos onde nos esperam

Anoitecia. Os planos para a noite de ontem passavam por ir a uma exposição de fotografia de uma rapariga que conhecia através do site "couchsurfing". Quando me estava a preparar para ir, passou por mim a rapariga guatemalence, a Daphnee. Decidimos ir juntas à exposição.

Pelo caminho ela perguntou: "queres mesmo que te conte a minha história?"

Eu respondi que sim. Parecia uma cena saída de um filme. Ela contou a história e, digamos, não era para meninos. Metia um marido em Paris, preso por tráfico de droga, uma separação e a contratação de uma espécie de babysitter (a tal Isabel de Corrientes) para tomar conta dela em Buenos Aires a cargo da mãe.

Depois de uma passagem breve pela exposição, a noite estava quente e a conversa fluía. Ela levou-me a um dos sitios preferidos dela, perto de uma reserva natural. Nunca vou esquecer a conversa, os olhos dela, as gargalhadas, o choro e o abraço que me deu.

Antes de atravessarmos uma ponte em Puerto Madero (uma zona rica da cidade), chamada "Puente de Las Mujeres", ela disse-me para pedir 3 desejos e que, esperaria por mim a meio da ponte.

Depois de tudo isto só podia pedir para ela ser feliz e que "aquela conversa naquela noite" a ajudasse a mudar de vida. Quando fui ter com ela a meio da ponte ela disse-me que me tinha ouvido e adivinhou todas as palavras do meu desejo. Fiquei como uma tola no meio da ponte. Ela acrescentou "I heard you so loud, so loud". Telepatia?

De seguida sentamo-nos em frente à "Casa Rosata", local onde a Evita Perón fez aquele discurso famoso para o povo argentino. Ficamos em silêncio imenso tempo.

Já era meia noite e voltamos para o hostel. Despedimo-nos.

Hoje de manhã quando acordei ela já não estava no quarto dela. Perguntei na recepção e disseram-me que tinham ido embora pois já não havia vaga no hostel.

Não nos despedimos, mas a noite foi tão especial que não era preciso. Ficou tudo ali, suspenso no tempo.

"Sempre chegamos onde nos esperam" - Saramago

Um abraço a todos!

A puente de las mujeres - a Daphnee é rapariga de vestido preto, do lado esquerdo da ponte, ao fundo


A Casa Rosata à meia noite. 

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Buenos Aires: 8:30 a.m

Depois de uma viagem bastante atribulada, finalmente Buenos Aires.

Na viagem do Porto a Madrid conheci uma Brasileira fantástica, cujo conselho para a viagem foi para eu escrever muito. É o que ela faz sempre.

Em Madrid esperei 4 horas a mais pelo meu voo, que foi adiado devido às cinzas de um vulcão no Chile que inundaram o aeroporto de Buenos Aires. Tive sorte pois na noite anterir houve um voo cancelado.

Já no avião percebi o desespero de ficar 12horas sentada no mesmo sítio. A minha companheira de lugar devia estar a passar-se pelo facto de me estar sempre a levantar, a descalçar, a beber água, a ler, a ajeitar a almofada. Até que ao fim de 9 horas em silêncio finalmente decidiu conversar comigo. A rapariga é Argentina, é recepcionista em Espanha e já não via a família há 6 anos. Depois de quebrado o gelo esteve-me a aconselhar sobre os melhores sitios a ir em Buenos Aires e disse-me que talvez fosse comigo a Iguazu, daqui a 3 dias.

Quando cheguei ao aeroporto, demorei 2 horas a sair. Na hora local eram menos 4 horas que em Espanha. Uma confusão para o meu relógio biológico.

Mal cheguei ao hostel fui para o meu quarto. Como não me cheirou bem o quarto (literalmente), passei para outro onde já estavam 2 raparigas a dormir. Elas ficaram super assustadas com uma marmanja a entrar as 3 da manhã, mas tranquilo. De manhã metemos conversa as 3 e percebi que uma era de Guatemala e outra de Corrientes, na Argentina. Estavam sem casa e passam umas noites num hostel, não são turistas.

Depois de algum tempo a conversar uma delas pergunta-me as horas. Olhei para o telemóvel  (dormi abraçado a ele, ao telemóvel, ao passaporte e ao Ipod, nunca se sabe) e disse: são 11h30. Elas levantaram-se de imediato, cheias de sono, tomaram as duas banho, vestiram-se, pentearam-se...até que me passou pela cabeça que talvez 11.30 fosse a hora portuguesa. Na verdade eram 8.30 cá. Quando disse: "hmmm, acho que ainda é cedo...podem dormir mais um pouco", a resposta da guatemala furiosa: "pois bien, percebo ahora porque estaba cheia de sono. Ai que portuguesa, te atiro pela ventana!!!"

O conselho da guatemala sobre buenos aires foi para me perder: "get lost, it's the best way".

Aqui vou eu para o bairro mais pobre da cidade, La Boca e o Caminhito.Conheci o Rodrigo, cozinheiro que passa a vida a fazer empadas e a vende-las todos os dias na rua mais movimentada do bairro. Tirou-me uma foto que podem ver se seguida.  Depois andei a pé por San Telmo e entrei em vários antiquários, são aos montes!


Caminhito




 Rodrigo, o vendedor de empadas

 Mercado de San Telmo



Depois disso voltei ao hostel para cozinhar e dormir a siesta! Aqui estou agora, fresquissima para o resto do dia (ou noite).

Beijos a todos!

domingo, 20 de novembro de 2011

Prelúdio

Aqui deixo a música dos Ornatos Violeta que me tem acompanhado estes dias de preparação da viagem:

Capitão Romance

Não vou procurar quem espero
Se o que eu quero é navegar
Pelo tamanho das ondas
Conto não voltar
Parto rumo à primavera
Que em meu fundo se escondeu
Esqueço tudo do que eu sou capaz
Hoje o mar sou eu

Esperam-me ondas que persistem
Nunca param de bater
Esperam-me homens que desistem
Antes de morrer
Por querer mais do que a vida
Sou a sombra do que eu sou
E ao fim não toquei em nada
Do que em mim tocou

Eu vi
Mas não agarrei

Parto rumo à maravilha
Rumo à dor que houver pra vir
Se eu encontrar uma ilha
Paro pra sentir
E dar sentido à viagem
Pra sentir que eu sou capaz
Se o meu peito diz coragem
Volto a partir em paz

Eu vi
Mas não agarrei
http://youtu.be/C8qLjaxf1DA