sábado, 31 de dezembro de 2011

End of the road

Chegou ao fim uma viagem marcante e repleta de experiências. A aprendizagem e o enriquecimento fruto desta aventura dificilmente pode ser expressa por palavras. Ficou muita vontade de continuar a sonhar e a viajar. As viagens começam na nossa mente e esta, em particular, foi o exemplo disso.

Se queres fazer, faz.
Se queres dizer, diz.
Se queres abraçar, abraça.

Se queres viajar, viaja.

Trabalha para isso.

O tempo não volta atrás.








I won't be the last
I won't be the first
Find a way to where the sky meets the earth
It's all right and all wrong

For me it begins at the end of the road

Obrigada a todos que viajaram comigo.

Um excelente 2012 repleto de sonhos concretizados.

"Cuidado com o que desejas, pode realizar-se"



quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Quero é viver

Vou viver
até quando eu não sei
que me importa o que serei
quero é viver

Amanhã, espero sempre um amanhã
e acredito que será
mais um prazer

e a vida é sempre uma curiosidade
que me desperta com a idade
interessa-me o que está para vir
a vida em mim é sempre uma certeza
que nasce da minha riqueza
do meu prazer em descobrir

encontrar, renovar, vou fugir ou repetir

vou viver,
até quando, eu não sei
que me importa o que serei
quero é viver
amanhã, espero sempre um amanhã
eacredito que será mais um prazer

a vida é sempre uma curiosidade
que me desperta com idade
interessa-me o que está para vir
a vida, em mim é sempre uma certeza
que nasce da minha riqueza
do meu prazer em descobrir

encontrar, renovar vou fugir ou repetir

vou viver
até quando eu não sei
que me importa o que serei
quero é viver,
amanhã, espero sempre um amanhã
e acredito que será mais um prazer

[Quero é viver, António Variações]



segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Bariloche: o renascer das cinzas

Aproveitando a aportunidade de estar na zona Austral do Chile, visitei Bariloche, uma cidade muito conhecida da Argentina. Esta cidade tem uma beleza natural inacreditável, com os seus vulcões, lagos, florestas e montanhas de perder de vista. Assim o vi nas fotografias que me levaram lá (e que vos aconselho a pesquisarem no google para conferirem o que estou a dizer).

Estava eu a sair de Puerto Varas em direcção a Bariloche quando, depois de dormir uma bela sesta no autocarro, acordo e olho pela janela. Não queria acreditar! O que tinha acontecido à paisagem?

Encontrava-me no meio de um nevão mas sem neve. As estradas, as casas, os animais, todos cobertos de uma camada branca/acinzentada. Perguntei a uma senhora o que se passava e ela contou-me que o vulcão chileno que tinha entrado em erupção em Junho deste ano continuava a emanar cinzas, encerrando o aeroporto de Bariloche e muitos outros, dependendo da direcção do vento.


Parando numa estação de serviço vi as pessoas a trabalhar de máscara e o vento a levantar toda a cinza do chão.

PNEUMOULTRAMICROSCÓPICOSSILICOVULCANOCONIÓTICO - a maior palavra do português, usada em tantas sessões de Terapia da Fala para trabalhar a articulação, foi a primeira palavra que me veio à cabeça, agora tomando um novo significado, mais real: a doença pulmunar provocada pela inalação das cinzas dos vulcões. Apesar do desespero, ainda me consegui rir disto...


Na fronteira Chileno-Argetina só pensava na má decisão que tinha tomado, pois nem para passear dava com aquelas condições, quanto mais apreciar a paisagem soberba que, de um momento para o outro, tinha ficado toda da mesma cor.

O mesmo pensei quando comprei uma viagem de autocarro de Bariloche para a Vila Angustura (um dos sítios mais bonitos da zona), no sentido de apanhar um barco para uma ilha com umas árvores muito raras que inspiraram os filmes da Disney, constatando à chegada que o melhor a fazer era regressar a Bariloche onde as cinzas não estavam em tamanha quantidade.


Em alternativa, nesse dia, aconselharam-me a ir mais para sul, fazer um passeio perto de um lago (Lago Guterrez). Apanhei o colectivo 50, cheio de gente e saí na última paragem.

Na mesma paragem saiu uma senhora com cerca de 50 anos e o seu filho, Jose, de 22. Como eles tinham mapa, perguntei-lhe a direcção a tomar e, como íamos na mesma direcção, decidimos ir juntos fazer o passeio. Nisto começam a aproximar-se uns insectos, tal e qual umas abelhas (o mesmo tamanho, a mesma forma e o mesmo barulho) e que me ficam a rondar. Quem me conhece sabe que não sou muito fã de abelhas e quem algum dia pôde apreciar a minha reacção às mesmas vai entender melhor.

Portanto, estes insectos, pensava eu que eram abelhas comecaram-se a aproximar às dezenas, não só de mim como das outras pessoas e por mais que as sacudissemos não iam embora. Eu comecei a entrar em pânico, larguei a mochila no meio do caminho e desatei a correr, sacudindo braços e pernas...um pouco a "apanicar". Não conformada saco do meu lenço/toalha/cachecol e começo a sacudi-las energicamente. Como éramos 3 fizemos um trabalho de grupo, o da trás sacudia os insectos do da frente e íamos trocando. Sempre que um queria tirar fotografias, os outros dois afastavam os insectos para deixar o "fotógrafo" em paz. Parece exagero, mas nunca vi coisa mais chata.


Felizmente, ao entrarmos num trilho de uma floresta lindissima, a caminho de uma cascata, encontramos um nativo que nos disse que não eram abelhas, mas sim uns insectos estranhos que somente saíram à rua como reacção as cinzas vulcânicas. Antes disso os insectos não circulavam assim como loucos. Felizmente a sua picava não é venenosa e não dói quase nada. Fiquei um pouco mais tranquila.


Á medida que prosseguiamos caminho, a paisagem era cada vez mais bonita. Inicialmente caminhamos a par de um lago de perder de vista (aqui o "Guterrez" é bonito"), com uma bela montanha do outro lado. Depois entramos numa floresta, com um trilho assinalado até às cataradas dos duendes (aqui os duendes são personagens místicas e muito associadas a mitos locais). Apesar da beleza das cataratas, decidimos seguir mais, rumo a um miradouro. De facto valeu a pena. As árvores com mais de 30 metros, os pássaros, a frescura da água, a vista para o lago, já fez valer a pena a visita a Bariloche.



No regresso atravessamos um parque de campismo que tinha uma pequena praia. Fomos molhar os pés e contemplar aquela vista fantástica. A água era completamente pura e transparente. Tenho pena de não ter fotos minhas daquele local, pois como as pilhas  da máquina fotográfica já estão viciadas não me chegaram para o dia todo.

Nessa noite, fiquei num hostel bastante acolhedor. Foi interessante jantar com uma inglesa, uma suíça, uma australiana, um nova iorquino, um argentino e dois alemães. Parece daquelas anedotas (estava um português, um inglês,....)! Até agora não conheci mais nenhum português a viajar, o que me leva a crer que tive muita sorte com o timing desta viagem!

No dia seguinte, foi hora de fazer o check-out e sair. Como o autocarro de regresso era só as 13h15, ainda visitei o museu patagónico no centro de Bariloche. Com toda a calma do mundo fui para a estação de autocarros, onde me informaram que o dito estava atrasado devido a um passageiro ter sido encontrado com droga na fronteira. Esperei 3 horas pelo autocarro. A viagem foi lenta, dolorosa e desconfortável. Reclamei pelo atraso e pelo facto de, decorrente da hora a que chegavamos, já só podia ir de taxi para o aeroporto (gastando imenso dinheiro, pois é nos confins). Encolheram os ombros e disseram "paciência".

Juro que vou daqui sem compreender a passividade deste povo: não questionam, não reclamam (não existe livro de reclamações em parte alguma), e como diz um Português que vive cá, o chileno tenta sempre enganar o próximo. Para qualquer coisa é preciso dar gorjeta, para tirarem a mala do autocarro, para ir à casa de banho (mesmo as muito más), só falta cobrarem o ar chileno (e mais caro se for para turistas!) - Não paga, não respira!

Enfim, chegando à estação de Puerto Montt, apanhei um taxi para o aeroporto. A ideia era ficar lá a dormir para apanhar o voo das 6 da manhã para Santiago do Chile.

Chegada ao aeroporto, estava praticamente às escuras, sem ninguém para além do segurança à entrada. O senhor disse-me que podia dormir no piso de cima, que era mais "quentinho". Chegada ao aeroporto "fantasma" tirei as botinhas, arrumei-as debaixo de um banco, acendi as luzes da casa de banho, lavei os dentes e voltei para a minha cama feita de mochilas, casacos e toalhas de banho a fazer de cobertor.

Já aninhada e não muito confortável, nem 5 minutos depois comecam a fazer obras no aeroporto. Nunca o som de um berbequim foi tão amaldiçoado. As obras duraram 2 horas, por isso consegui dormitar entre as 2 e as 5 da manhã, hora a que fiz o check-in.

É nestas alturas que se dá valor à nossa cama :)

Agora estou em Santiago, a disfrutar de um verão quente e seco, de uma cidade cheia de vida e de pessoas de todo po mundo. Conheci um Português, o Rui Sá, que apareceu no programa "Portugueses pelo Mundo" (podem pesquisar no You Tube o episodio 3 sobre Santiago do Chile), e a sua namorada. Fomos jantar juntos e hoje fui ao mercado com a Rocío.

Amanhã parto para Buenos Aires, onde tudo começou.

"Oh, let's go back to the start..."

Beijos :)

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

10 Factos (ou mitos) sobre a viagem

- Uma cidade a 6 horas de distância é perto.
- Há cães vadios a dormir em todas as sombras (vida de cão...).
- No Chile a palavra "rua" diz-se "calhe" e na Argentina "cache".
- Os Argentinos são dependentes de "Mate", umas ervas que se bebem mas são mais poderosas que o café.
- Os transportes públicos nos dois países são baratos (uma viagem de bus são cerca de 20 cêntimos).
- As pessoas comem "asado" todas as semanas, melhor se for num parque com um riacho.
- No Chile há dezenas de marcas de cervejas nacionais/artesanais e são óptimas.
- As baratas no norte da Argentina, na zona tropical, são mutantes.
- O vinho Argentino e Chileno é de recomendar.
- Já dormi em 13 camas diferentes.


Calle en Valparaíso 

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Sul do Chile (II): Chiloé

"Se eu encontrar uma ilha..." (Ornatos Violeta, Capitão Romance)


De facto, encontrei-a. Não encontrei foi céu nublado e a chuva que esperava (de facto, a roupa de Inverno que trouxe foi o fiasco da minha viagem). De Puerto Montt para Castro (cidade principal da ilha Chilota - Chiloé, entenda-se), são 3h e meia (o que é pertíssimooooo!).

Em Castro ia ficar em casa de uma amiga, de uma amiga da minha irmã. Liguei-lhe de tarde e ela deu-me a morada. Cheguei a Castro às 23h15 da noite. Apanhei um taxi.

A cidade é tão grande que o taxista morava na mesma rua da minha nova senhoria. A primeira referência que tinha era o numero 1212 dessa rua. Paguei o taxi e entrei na casa. Ao início pareceu-me uma casa espetacular, mas depois vi que estavam pessoas a jantar...ou seja, cheguei a um restaurante! Perguntei pela Alejandra e disseram-me que a casa dela era mais à frente nessa rua. Voltei a entrar no taxi e a cravar uma chamada telefónica ao motorista. Ao subir a rua, o taxi foi atacado por 5 cães vadios e o senhor deixou-me à porta de umas cabanas de madeira. Toquei em todas as casas pois não sabia o andar. Comecaram a falar 3 mulheres ao mesmo tempo e nenhuma a "Alejandra". Pela janela do rés-do-chão vi um casal de jovens a cozinhar. Desesperada bati no vidro da janela uma série de vezes, até verem uma pessoa meia doida, cheia de sacos, do outro lado. Os cães já rondavam a cena.

Pedi para entrar e perguntei se ali vivia a Alejandra, disseram-me que sim, mas no andar de cima e não estava em casa. Basicamente mitrei-me uma meia hora lá em casa deles até chegar a famosa!

A Alejandra é chef e é dona do restaurante onde entrei primeiro. Quase não está em casa e pediu-me desculpa pela confusão. Expliquei-me como cheguei ali, apresentei-me e arrumei as minhas coisas. Esta espécie de couchsurfing é uma coisa delicada, pois a rapariga não fazia a mínima ideia de quem eu era, só o meu nome. Bem, foi impecável, mandou vir comida do restaurante para mim e deu-me as chaves de casa.

(Sobre a casa: toda de madeira, decorada com coisas de artesanato local, livros e mantas de lã, cheia de quadros, com uma varanda linda e uma janela enormde do tamanho da fachada, com vista para um lago de perder de vista - que só vi no dia seguinte quando acordei).

Vista da varanda

No dia seguinte, ao acordar fui ao supermercado comprar o pequeno-almoço preparar-me para conhecer a ilha. Perguntei-lhe se os cães vadios daqui eram agressivos e ela disse-me que geralmente sim, que ladravam muito. A estratégia era levar pão para lhes dar ou então andar com uma pedra na mão para simular um ataque! Das duas uma, eu precisava do pão para comer, logo andei o dia todo com uma pedra na mochila, caso fosse preciso.


Nessa tarde fui conhecer dois povos pequenos, mais a norte de Castro. Disseram-me que precisava de 1 dia lá, para ir, conhecer e voltar. De facto, a viagem era 1h30 mas quando cheguei lá,  nunca vi um povo tão pequeno. Sem exagero, 3 quarteirões de largura e 5 de comprimento. Tinha uma igreja que era património mundial. Quis entrar e estava fechada. Perguntei à senhora que guardava a igreja se havia alguma informação que eu pudesse consultar sobre a história da igreja e ela disse que não sabia de nada.

Atravessei a rua e entrei numa pequena loja de artesanato. Perguntei ao senhor se sabia de alguma coisa sobre a igreja ser património, ao que ele responde com um ar muito misterioso "acho...mas não tenho a certeza, que é pr ser muito velha" e piscou-me o olho. Fiquei estupefacta com tanta informação relevante, os que meus olhos não tinham ainda captado e procurei um posto turistico.

Quando cheguei ao posto turistico, estava fechado, aparentemente há vários meses, pela poeira em cima das mesas. As pessoas olhavam para mim com o ar interrogativo "mas o que é que esta anda para aqui a ver, se não há nada?". Bem, é época baixa ainda, pois o verão so começa daqui a uma semana e não havia mais turistas por perto. Assim, aproveitei para passear um pouco mais e decidi ir a uma ilha mesmo em frente, a 5 minutos de ferry boat.


Esta ilha tinha uma praia de areia preta bastante extensa, para o que tenho visto por cá. Também tem uma igreja considerada de relevo para a história mundial, mas também estava encerrada.



Já um pouco desanimada com a falta de informação voltei para Castro, onde descubri um museu. De tão frequentado que é, estava às escuras e o senhor a dormir numa sala anexa. Meio atarantado, levanta-se com um formulário, a perguntar-me de que país era e para acender as luzes do museu. Aí finalmente consegui perceber a história do arquipélago, da arquitectura, as actividades principais, etc.

Chiloé foi a ultima parte do Chile a ser colonizada por Espanhóis. Aí viviam dois povos indígenas, que se dedicavam principalmente à pesca e à agricultura. A ilha já foi vítima de vários maremotos que destruíram algumas das construções mais primitivas.

O aspecto mais tradicional da arquitectura das casas é o facto de estas estarem apoiadas em vigas de madeira para que o lago não as alcançe na maré cheia e de serem todas coloridas.


O restaurante da Alejandra é dos sítios mais bonitos onde já estive: à entrada tem uma parte de artesanato, tem uma parte interior e outra exterior, mesmo sobre o lago. A luz é incrível, a decoração linda. Fartei-me de fotografar! E também comi boa comida, oferecida pelas donas.Em troca fiz de babysitter da sobrinha da Alejandra.

O nome do restaurante

Alejandra a trabalhar


A sobrinha da Alejandra

Mais ao lado nessa rua existe uma casa de chá. Entrei. Com um estilo diferente do restaurante, está decorada em tons de azul e branco, com algumas mensagens na parede. Tem 2 pares de janelas abertas, voltadas para o lago, agora em maré vaza. A senhora deixou-se visitar o piso de cima, onde existe uma suite com a mesma vista da parte de baixo, para 2 ou 3 pessoas, toda em motivos antigos mas renovada. É um sitio lindo de morrer, com uma paz enorme, uma luz incrível.


Depois de conhecer todos estes sítios belíssimos, decidi ir para o norte de Chiloé, para Ancud, onde existe uma reserva de pinguins. Depois de ja ter comprado o tour, tive de o desmarcar por um atraso enorme que me impedia de voltar para Puerto Montt a tempo e horas de procurar onde dormir. Não vi os pinguíns e para mim foi uma grande perda.

No entanto a experiência vivida na ilha supera a falta dos pinguíns!

Depois de Chiloé rumei a PuertoVaras, onde apanhei um bus para Bariloche, na Argentina.

A viagem é digna de um post!

Beijos!

Sul do Chile (I): Puerto Montt

No seguimento da estadia impecável em Santiago, chegou a hora de rumar para sul. Comprei uma promoção de Santiago para Puerto Montt, que me permitiu viajar quase ao mesmo preço de um autocarro, com a diferença que poupava 10h de viagem para cada lado.

A primeira escala foi em Puerto Montt. No avião a vista dos vulcões e dos lagos já deixava anteciar as paisagens que iria vivenciar nos dias seguintes.

Puerto Montt é uma pequena cidade, junto a um lago de perder de vista. Quem olha para o lado, do lado esquerdo existe um vulcão enorme coberto de neve. Os barcos estão junto da costa e existem muitos pescadores. Existem também pequenos "pueblos" de artesãos, com casas de artesanato muito juntas e todas coloridas. As casas são construídas em madeira, de várias cores e, geralmente, muito envelhecidas. Os cães passem sem rumo pelas ruas e as pessoas andam devagar (afinal estamos no sul e ninguém tem pressa). A zona mais novimentada da cidade é a estação de autocarros, onde existem transportes de todos os géneros e para todos os destinos do sul e centro do chile.




Demorei-me pelas lojas de artesanto e admirar a costa. Tenho um fascínio qualquer por lojas de artesanato, daquelas verdadeiras, em que as pessoas estão sentadas a trabalhar a lã e a fazer ponchos, meias, cachecóis, etc. Enquanto fotografava uma rua, uma senhora de uma loja chamou-me. Chamava-se Carmen e a sua especialidade são as pantufas feitas de lã de ovelha. O estaminé tem tantas coisas velhas nas paredes que mais parece um antiquário. Perguntou-me de onde vinha e disse-me que as ultimas pantufas que tinha encomendadas era de um casal de Lisboa. Fez questão de me mostrar o livro de encomendas, tão velho que quase se desfazia. O seu orgulho era imenso: "encomendas da holanda, de frança, de portugal, do chile". Os clientes deixam um comentário junto com a encomenda no final, desde a cor das pantufas, até dedicatórias.


Mostrou-me todas as pantufas da loja e os antigos preços. Disse-me para aproveitar porque tudo ia inflacionar em janeiro (os chineses andam a comprar as ovelhas chilenas). Também me disse que não vende o seu trabalho a qualquer pessoa. Clientes que entram e não a comprimentam entram na "lista negra". Diz que sabe de onde vem, para onde vai e o que quer fazer do seu trabalho e não o quer nas mãos de "más pessoas". Achei uma delícia o facto de ela acrescentar que eu tinha "algo de especial" e que sentia na pele. Adorei a estratégia, mas também me pareceu uma pessoa genuína. Perdou-me o facto de não lhe comprar as pantufas e abençou a minha viagem.

Carmen a receber uma das mil encomendas

Andando um pouco mais, vagarosa pois a mochila já começa a pesar, um senhor velhinho aproximou-se como quem não quer falar. Depois começa a meter conversa e diz-me que em tempos viajou para a Austrália, onde vive uma filha, que já não volta mais. No fio da conversa confessa-se ser uma pessoa de sorte. Ganhou em Setembro 45 milhões de pesos no casino de Puerto Varas. Com algum desse dinheiro comprou montes de campos de cebolas, dado que estava farto de ser mecânico e o que ele gostava mesmo era de andar no campo. Trabalha 4 meses por ano e o resto é por conta dele.

I want to be a millionaire...

Deste dia em Puerto Montt deixo-vos mais uma foto que eu adoro, que traduz bem a natureza da mulher chilena..."de pequenino..."!

"Ri-te Esmeralda - dizia a mãe" Adoro... :)

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Roadtrip - Andes







O resto é silêncio, beleza e paisagem!

"Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos..."