Depois de três dias em Buenos Aires finalmente sinto que me estou a integrar na cidade. Tenho tentado passar o mais possível despercebida. Calções rotos, chinelos, mochila às costas, sem anéis, pulseiras, colares. Sinto-me bem assim. Hoje saí só com a máquina fotográfica, um livro e música.
Pedi na recepção do hostel para me indicarem o lugar mais tranquilo da cidade. Indicaram-me "Palermo", a zona onde vivem os ricos de Buenos Aires.
Assim, rumei a Palermo de metro e saí na zona mais ampla, verde e fresca da cidade. Aí entrei no jardim botânico e, acreditem, é dos jardins mais bonitos que já vi. Estava uma atmosfera pesada, um calor a entranhar-se na pele, algum vento que agitava as árvores, completamente em flor (aqui é Primavera). O jardim estava cheia de estátuas belíssimas, pessoas a ler, a ouvir música. Havia também muitos gatos, de todas as cores, a dormirem à sombra dos grandes arvoredos.
Fiquei um pouco sentada, com o corpo a ressentir-se das caminhadas dos dias anteriores. Também tirei algumas fotografias mas logo a máquina ficou sem bateria, por isso não tirei mais fotos o dia todo. Apesar de inicialmente ter pensado o quão palerma fui de me ter esquecido das pilhas extra no hostel, afinal acabou po ser uma coisa boa. Tive de estar com os sentidos muito mais alerta para captar tudo no memória: ver o movimento, as cores, as expressões das pessoas no metro, ouvir as pessoas a falarem, os pássaros, as máquinas, sentir o cheiro das barraquinhas de "choripan" em cada esquina, das empanadas, das pizzas acabadas de fazer, etc.
Lamento não ter fotos do dia de hoje, mas espero conseguir por palavras expressar todas essas impressões, tão intensas para mim.
Depois do jardim botânico fui para outro jardim, maior, mais amplo, com lagos e montes de patos. O jardim estava imaculado, a relva, a água, tudo limpo e organizado. Encontrei uma sombra, estendi o lenço/toalha de praia/cachecol e fiquei a ouvir música e a ler durante a tarde. Foi muito tranquilo.
O dia ainda estava alto, o calor também e decidi ir a outra parte da cidade, completamente o oposto da tranquilidade que tinha vivido. Chama-se Calle Florida e é um verdadeiro turbilhão de gente a fazer compras. Lá pelo meio havia (mais) uma manifestação da "classe operária". Os argentinos quando se manifestam é a sério. Acreditem.
Outra coisa que me impressiona são os enfeites de natal. Estão 32ºC, toda a gente cheia de calor e aparece nas montras o pai natal bem aconchegado com a sua roupa vermelha. Parece incongruente.
Nessa rua há também um centro comercial muito famoso, todo dourado, com o tecto pintado como um verdadeiro monumento. Aí estão as lojas mais caras e, vê-se pelas pessoas que o frequentam, que a crise não chegou alí. Quando entrei, com os pés sujinhos de vir do parque, toda despenteada (modo limpeza de sótão), de mochila as costas, não me senti muito integrada. Mas, o que interessa é que aproveitei para ir à casa de banho mais limpinha da cidade e disso ninguém me tira!
A voltar para o hostel decidi apanhar o colectivo. Quando dizem colectivo, é meeesmoooo colectivo. Imagine-se o cenário: buenos aires, hora de ponta, sexta-feira, 30ºC, filas para o autocarro a dar a volta ao quarteirão. As pessoas arrumam-se no interior do autocarro como peças de tetris. É muito bom! Entrei no veículo, não tinha saldo e não me apetecia pagar porque só tinha uma nota alta e mostrar isso naquele contexto podia ser um problema. Então comecei a falar em Português, a remexer nos bolsos e a dizer que não tinha dinheiro. O homem, farto de me aturar mandou-me entrar sem pagar.
Não sei se for por (não) merecimento, mas também não completei a viagem. Tive de saír umas paragens depois porque não aguentava o calor lá dentro. Vim a pé para o hostel e aqui estou.
Hoje vamos cozinhar pizza em conjunto: eu, um argentino, 3 australianos e os "basquitos" do meu quarto.
É a minha "primeira despedida" de Buenos Aires. I'll be back!
Quando escrever novamente estarei nas famosas cataratas de Iguazu.
Abraços!!
Sempre te decidiste pelo lenço/toalha de praia/cachecol! :)
ResponderEliminarque fixe mana... ando a seguir a aventura, é mesmo boa ideia andares a escrever. Assim parece que também viajo um bocado :) um dia ha-de chegar a minha vez... pode ser que ainda esteja por ai o tipo dos colares e possa fumar maconha com ele! beijo grande e abracinho
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