quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Sul do Chile (I): Puerto Montt

No seguimento da estadia impecável em Santiago, chegou a hora de rumar para sul. Comprei uma promoção de Santiago para Puerto Montt, que me permitiu viajar quase ao mesmo preço de um autocarro, com a diferença que poupava 10h de viagem para cada lado.

A primeira escala foi em Puerto Montt. No avião a vista dos vulcões e dos lagos já deixava anteciar as paisagens que iria vivenciar nos dias seguintes.

Puerto Montt é uma pequena cidade, junto a um lago de perder de vista. Quem olha para o lado, do lado esquerdo existe um vulcão enorme coberto de neve. Os barcos estão junto da costa e existem muitos pescadores. Existem também pequenos "pueblos" de artesãos, com casas de artesanato muito juntas e todas coloridas. As casas são construídas em madeira, de várias cores e, geralmente, muito envelhecidas. Os cães passem sem rumo pelas ruas e as pessoas andam devagar (afinal estamos no sul e ninguém tem pressa). A zona mais novimentada da cidade é a estação de autocarros, onde existem transportes de todos os géneros e para todos os destinos do sul e centro do chile.




Demorei-me pelas lojas de artesanto e admirar a costa. Tenho um fascínio qualquer por lojas de artesanato, daquelas verdadeiras, em que as pessoas estão sentadas a trabalhar a lã e a fazer ponchos, meias, cachecóis, etc. Enquanto fotografava uma rua, uma senhora de uma loja chamou-me. Chamava-se Carmen e a sua especialidade são as pantufas feitas de lã de ovelha. O estaminé tem tantas coisas velhas nas paredes que mais parece um antiquário. Perguntou-me de onde vinha e disse-me que as ultimas pantufas que tinha encomendadas era de um casal de Lisboa. Fez questão de me mostrar o livro de encomendas, tão velho que quase se desfazia. O seu orgulho era imenso: "encomendas da holanda, de frança, de portugal, do chile". Os clientes deixam um comentário junto com a encomenda no final, desde a cor das pantufas, até dedicatórias.


Mostrou-me todas as pantufas da loja e os antigos preços. Disse-me para aproveitar porque tudo ia inflacionar em janeiro (os chineses andam a comprar as ovelhas chilenas). Também me disse que não vende o seu trabalho a qualquer pessoa. Clientes que entram e não a comprimentam entram na "lista negra". Diz que sabe de onde vem, para onde vai e o que quer fazer do seu trabalho e não o quer nas mãos de "más pessoas". Achei uma delícia o facto de ela acrescentar que eu tinha "algo de especial" e que sentia na pele. Adorei a estratégia, mas também me pareceu uma pessoa genuína. Perdou-me o facto de não lhe comprar as pantufas e abençou a minha viagem.

Carmen a receber uma das mil encomendas

Andando um pouco mais, vagarosa pois a mochila já começa a pesar, um senhor velhinho aproximou-se como quem não quer falar. Depois começa a meter conversa e diz-me que em tempos viajou para a Austrália, onde vive uma filha, que já não volta mais. No fio da conversa confessa-se ser uma pessoa de sorte. Ganhou em Setembro 45 milhões de pesos no casino de Puerto Varas. Com algum desse dinheiro comprou montes de campos de cebolas, dado que estava farto de ser mecânico e o que ele gostava mesmo era de andar no campo. Trabalha 4 meses por ano e o resto é por conta dele.

I want to be a millionaire...

Deste dia em Puerto Montt deixo-vos mais uma foto que eu adoro, que traduz bem a natureza da mulher chilena..."de pequenino..."!

"Ri-te Esmeralda - dizia a mãe" Adoro... :)

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